O ano de 2021 e a retomada das aulas em SC: o começo do fim?

O ano de 2021 e a retomada das aulas em SC: o começo do fim?

Seção de Trabalhadores da Educação

Mais um ano da mesma rotina desgastante inicia para os professores da rede estadual de educação em Santa Catarina. Especialmente aos professores admitidos em caráter temporário – os ACT’s.

Esse ano, no entanto, diferencia-se dos demais, por termos um cenário ainda pior a volta às aulas. Devido a atual pandemia e ao descaso dos governos municipais, estadual e federal, são mais de 234.00 (mil) mortos pelo novo coronavírus no Brasil. Em Santa Catarina hoje temos mais 6.600 mortos e mais de 601.000 casos confirmados.

Dos leitos de UTI disponibilizados pelo SUS, 76% estão ocupados no estado. Sendo que na região Oeste temos 100% dos leitos ocupados. Em outras três regiões: Planalto Norte, Meio Oeste e Serra e Grande Florianópolis, são mais de 80% de ocupações.

Além disso, foi confirmada no Reino Unido uma nova mutação do vírus. Diferente das outras variantes, onde apenas uma pequena parte do código RNA é alterada, temos uma recombinação da cadeia genética. Essa nova variante, justamente por sua extensa capacidade de mutabilidade é muito mais transmissível, além de serem muito mais perigosas ao corpo humano. Essa nova variante já foi detectada em Manaus (Amazonas) e em São Paulo, e está se espalhando rapidamente pelo Brasil.

Uma pesquisa da Universidade de Granada, na Espanha, calculou que, ao se colocar 20 crianças em uma sala de aula, com 10 dessas crianças sendo o único filho ou filha de uma família de 3 pessoas, em um dia teremos expostas 74 pessoas. Em dois dias, serão expostas 808 pessoas. Após 3 dias, serão mais de 15.000 pessoas expostas à contaminação pelo novo coronavírus.

É nesse cenário que retomamos o ano letivo.

Com 10 das 16 microrregiões apresentando risco potencial gravíssimo quanto a transmissão da Covid-19. As outras 6 microrregiões, apresentam risco grave.

O que parece não ser um problema para a Secretaria de Educação, que em 29 de janeiro determina o retorno presencial das atividades letivas.

É a total banalização de nossas vidas: professores, estudantes, servidores e comunidade escolar como um todo.

Desde o dia 03 de fevereiro estão ocorrendo formações nas escolas. Com lives onde os convidados pela secretaria de educação trazem discursos que beiram o absurdo. Essas formações em muitas escolas estão sendo parte online, parte presencial. Numa tentativa de se adequar um plano de retorno a uma realidade inexistente.

Sabemos a materialidade de nossas escolas, seus inúmeros problemas estruturais: são escolas com janelas emperradas, sem bebedouros, salas sem ventilação, com goteiras, banheiros mal instalados que precisam ser interditados vez e sempre, falta de materiais básicos como papel higiênico ou toalha. Há escolas que já anunciaram que não terão merenda escolar, servirão bolachas aos seus estudantes.

E esses são apenas alguns dos problemas.

Não temos um sistema de transporte que dê conta da circulação de passageiros com a segurança necessária ao enfrentamento do novo coronavírus. Os transportes já estão lotados com trabalhadores que se arriscam todos os dias. Com a volta às aulas a situação ficará além do insustentável.

Fala-se em protocolos de higiene nas escolas e formações, desenvolvimento emocional e até “sociodrama”. Como se essa fosse a oportunidade de desenvolvermos em nossos estudantes capacidades até então esquecidas pela escola.

Concordamos que é um momento em que esses estudantes precisam sim de apoio e a escola pode fazer isso. No entanto, a educação que entendemos que deve ser construída, contraria toda a prática que vem sendo adotada desde o início da pandemia.

Queremos que nossos estudantes tenham desenvolvimento emocional, social e autônomo. Precisamos que eles saibam distinguir entre as disputas de oratória e ação.

Que eles compreendam quem são, aprendam a se proteger e preservar, conheçam e pratiquem a solidariedade.

Uma educação que vise a formação humana, e não que lote as caixas de email com atividades com conteúdos descontextualizados. Não uma educação que forme marionetes a servir o capital.

Essas formações oferecidas pela Sed aos professores não visam assistir os estudantes ou a comunidade escolar numa das maiores crises sanitárias mundiais. Ela apenas traveste conteúdos com o propósito de justificar ou argumentar um retorno impossível de acontecer.

Enquanto isso, os professores ACT’s que não tiveram seus contratos prorrogados e também aqueles que prorrogaram apenas poucas horas/aula, seguem na incerteza quanto à distribuição de vagas.

A Sed lançou um edital de escolha no dia 04/02, onde discriminava os professores com comorbidades. Esses, mesmo tendo participado do processo seletivo em vigência, eram impedidos de escolherem vagas em 2021.

O Edital foi retirado, e lançado novamente dia 11 com o mesmo problema discriminatório contra professores acts associados aos grupos de risco.

As aulas iniciam dia 18 de fevereiro e o resultado da primeira chamada sairá no dia 19 de fevereiro – isso segundo esse novo edital que mais uma vez discrimina professores pertencentes ao grupo de risco.

A rotina dos Acts’s se repete pela espera da chamada, se agrava pelas incertezas, instabilidades e contínua precarização que a classe vem sofrendo. E agora, soma-se o atentado às nossas vidas.

As comunicações por parte da SED não são transparentes e contribuem para a insatisfação e insegurança do professorado.

É preciso salientar as condições de trabalho precárias em que se encontram os professores ACT’s. Sem direitos estabelecidos e garantias dignas de trabalho. Essas deficiências contribuem em geral no processo de uma educação de qualidade.

Não se sabe ao certo o número de professores ACT’s em todo o estado. Em 2018 o número estava em torno de 20.500 ACT’s para 15.000 efetivos, é certo que essa diferença seja ainda maior neste ano. +EXIGIMOS ESSES DADOS DA SED-SC!

De qualquer modo, sabemos que somos muitos! Se não mais da metade, ao menos metade da força de trabalho do magistério catarinense. Precisamos nos organizar por nós mesmos. Exigir o mínimo: uma equiparação em todos os sentidos com os efetivos.

Queremos o fim dos contratos ACT’s!

EXIGIMOS A CONTRATAÇÃO IMEDIATA DE TODOS OS ACTS COMO EFETIVOS!

Para isso, entendemos como necessária uma plataforma de luta aos professores ACT’s:

1 – Garantias de ajuda financeira para os professores ACT’s iniciarem seus contratos: garantir refeição e vale transporte antes de seu primeiro salário;

2 – Continuidade dos contratos caso haja interesse e disponibilidade da vaga, pelo período do processo seletivo em questão;

3 – Chamada de todos os concursados no último concurso e realização de novos concurso segundo demanda;

4 – Garantia de transparência nas chamadas públicas.

Não dá para esperar a boa vontade do estado, nem a boa intenção dos sindicalistas de carreira;

ACT’s e efetivos, uni-vos!

Lutemos juntos por melhores condições de trabalho e de EDUCAÇÃO .

Essa também é uma luta pela vida. Que estejamos atentos e solidários. Nossas lutas são muitas e uma só.

GREVE GERAL PELA VIDA!
NÃO INICIAREMOS O ANO LETIVO SEM VACINA PARA PROFESSORES, ESTUDANTES E PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO!
SE É REMOTO, NÃO É EDUCAÇÃO!
POR UM PROGRAMA DE ENSINO ESPECIAL ATÉ QUE TODOS SEJAM VACINADOS!

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