{"id":546,"date":"2017-06-12T20:05:00","date_gmt":"2017-06-12T20:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/?p=546"},"modified":"2023-02-07T20:06:46","modified_gmt":"2023-02-07T20:06:46","slug":"classismo-e-obreirismo-no-movimento-estudantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/?p=546","title":{"rendered":"Classismo e Obreirismo no Movimento\u00a0Estudantil"},"content":{"rendered":"\n<p>Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do Movimento Estudantil na luta de classes? Em qual categoria social est\u00e3o os estudantes? \u00c9 poss\u00edvel um programa classista e revolucion\u00e1rio no meio estudantil, ou o movimento estudantil deve apenas apoiar o movimento de trabalhadores? Longe de dar uma resposta definitiva e absoluta, diversas tend\u00eancias t\u00eam respondido a estas quest\u00f5es com base em diversas concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas sobre o lugar da categoria estudantil na luta de classes e, consequentemente, para cada uma delas o movimento de estudantes tem uma fun\u00e7\u00e3o e um papel delimitado de acordo com cada concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esbo\u00e7aremos aqui duas vias de resposta \u00e0 pergunta: \u201cO movimento estudantil pode construir um programa classista e revolucion\u00e1rio?\u201d Para tanto, trataremos da composi\u00e7\u00e3o social do estudantado sob duas perspectivas. \u00c9 importante ressaltar que n\u00e3o pretendemos entender a classe como express\u00e3o meramente econ\u00f4mica, \u00e9 preciso considerar a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos sujeitos que fazem a si mesmos enquanto classe ao resistir \u00e0s ofensivas do capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma primeira conceitua\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o social do movimento estudantil \u00e9 a de que ele \u00e9 <em>policlassista<\/em>, isto \u00e9, que ele \u00e9 composto por diversas classes sociais, incluindo trabalhadores dos diversos ramos, pequena-burguesia e burgueses. Deste modo, o movimento estudantil n\u00e3o se identifica com nenhuma classe em espec\u00edfico, havendo uma pluralidade de classes sociais em seu meio. O <em>policlassismo<\/em> se expressa no ME como <strong>obreirismo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra concep\u00e7\u00e3o entende os estudantes como <em>fra\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora<\/em>, isto \u00e9, que apesar das distintas origens de classe que comp\u00f5em o corpo estudantil, muitos j\u00e1 s\u00e3o estudantes-trabalhadores, outros transitar\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de classe herdada para mundo do trabalho, seja como for\u00e7a de trabalho ou gestores do processo produtivo, com pequena possibilidade de mobilidade social, e ainda h\u00e1 muitos estudantes que, com a apropria\u00e7\u00e3o privada da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e sua aplica\u00e7\u00e3o na acumula\u00e7\u00e3o de capital, j\u00e1 se veem em situa\u00e7\u00e3o de ter sua for\u00e7a de trabalho super-explorada, seja em est\u00e1gios ou a partir de bolsas com contrapartida laboral. Assim, mesmo que existam diversas origens de classe no corpo estudantil, grande parte j\u00e1 faz parte do mundo do trabalho e j\u00e1 est\u00e3o submetidos \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do capital. Esta concep\u00e7\u00e3o expressa-se como <strong>classismo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>obreirismo<\/strong> caracteriza-se pela subordina\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es do movimento estudantil ao movimento de trabalhadores\/sindical, uma vez que o ME \u00e9 policlassista, ele \u00e9 entendido como incapaz de defender um programa de classe e apenas pode servir de bra\u00e7o dos trabalhadores, apoiando-o em suas lutas e aplicando sua pol\u00edtica no meio dos estudantes. Neste caso, frequentemente o ME \u00e9 utilizado como bucha de canh\u00e3o do movimento sindical, atuando como tarefeiro dos sindicatos e de partidos. Desta forma, sem ser capaz de formular um programa independente, os estudantes ficam a reboque do movimento sindical e de suas pol\u00edticas hegemonicamente reformistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>classismo<\/strong>, ao contr\u00e1rio, entende os&nbsp;estudantes-trabalhadores como <em>fra\u00e7\u00e3o da&nbsp;<\/em><em>classe trabalhadora<\/em> e, portanto, capaz de construir e defender uma linha classista e revolucion\u00e1ria dentro do Movimento Estudantil. Neste caso, o ME \u00e9 considerado uma <em>frente estrat\u00e9gica da classe trabalhadora<\/em> para aplica\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de classe dentro do pr\u00f3prio ME, n\u00e3o o subordinando, mas construindo conjuntamente a luta enquanto classe trabalhadora, com a especificidade de estar inserido no processo formativo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Movimento Estudantil classista deve, portanto, ver-se como parte da classe trabalhadora, mas por suas especificidades os estudantes devem ter autonomia em sua t\u00e1tica, unindo-se aos trabalhadores estrategicamente. Para que isso ocorra \u00e9 necess\u00e1rio que se construa uma linha classista no ME. Al\u00e9m disso, essa unidade n\u00e3o deve se dar na absor\u00e7\u00e3o do Movimento Estudantil pelo Sindical, mas pela uni\u00e3o de ambos os setores numa luta conjunta, constru\u00edda pela base, para a mesma finalidade, respeitando a diversidade inerente \u00e0 pr\u00f3pria classe trabalhadora e diverg\u00eancias pol\u00edtica. A solidariedade de classe n\u00e3o deve se restringir somente \u00e0queles que tenham acordo com a linha hegem\u00f4nica, ela deve ser irrestrita!<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, entendemos que os princ\u00edpios do Movimento Estudantil classista s\u00e3o: a <em>solidariedade de classe<\/em>, a <em>independ\u00eancia frente a governos, partidos e empresas<\/em>, e o <em>internacionalismo<\/em>. Estes princ\u00edpios devem garantir a autonomia do ME e a uni\u00e3o com toda a classe trabalhadora de todos os pa\u00edses. A RECC defende um Movimento Estudantil que n\u00e3o se subordine \u00e0s burocracias sindicais, mas que esteja lado a lado com a classe trabalhadora, construindo uma linha classista, combativa e internacionalista no ME.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>AVANTE ESTUDANTES TRABALHADORES!<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><strong>POR UM MOVIMENTO ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVO!<\/strong><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do Movimento Estudantil na luta de classes? Em qual categoria social<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[30],"tags":[110,108],"class_list":["post-546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-estudantil","tag-classismo","tag-sindicalismo-revolucionario","two-columns"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=546"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/546\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":547,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/546\/revisions\/547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}