{"id":259,"date":"2021-03-23T21:34:40","date_gmt":"2021-03-23T21:34:40","guid":{"rendered":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/?p=259"},"modified":"2021-03-23T21:34:43","modified_gmt":"2021-03-23T21:34:43","slug":"para-a-vitoria-das-greves-fortalecer-os-trabalhadores-e-enfraquecer-a-burocracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/?p=259","title":{"rendered":"Para a vit\u00f3ria das greves: fortalecer os trabalhadores e enfraquecer a burocracia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-vivid-red-color has-text-color\"><em>Se\u00e7\u00e3o de Trabalhadores da Educa\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 08\/03, os trabalhadores da rede estadual de ensino de SC optaram pela paralisa\u00e7\u00e3o das atividades presenciais de ensino e manuten\u00e7\u00e3o das atividades remotas nesse in\u00edcio do ano letivo de 2021. Rapidamente, as autoridades e elites locais se mobilizaram para atacar o movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses inimigos populares jogam a opini\u00e3o p\u00fablica contra o leg\u00edtimo direito do trabalhador de se recusar a continuar suas atividades em condi\u00e7\u00f5es inconvenientes e desumanas.<\/p>\n\n\n\n<p>A greve \u00e9 uma forma de combate que \u00e9 imposta aos trabalhadores pelas condi\u00e7\u00f5es indignas de trabalho. \u00c9 a \u00fanica arma que temos, at\u00e9 agora, para fazer valer nossos interesses contra os patr\u00f5es e governos. \u00c9 uma arma de defesa, muito mais do que de ataque.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo diante dos ataques dos poderosos e da passividade dos sindicalistas oficiais, n\u00e3o podemos nos desencorajar, precisamos aperfei\u00e7oar nossos m\u00e9todos de luta e fazer cada greve melhor e mais eficiente do que as greves do passado. Ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio ampliar, fortalecer, democratizar e radicalizar nossa greve. Seguem algumas propostas de organiza\u00e7\u00e3o \u00fateis para toda e qualquer greve de trabalhadores:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\"><strong>Fundo de Greve ou Caixa de Resist\u00eancia<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Quando a explora\u00e7\u00e3o se torna insuport\u00e1vel, quando a mis\u00e9ria se torna fome e quando as vidas est\u00e3o em risco, os trabalhadores podem e devem se recusar a trabalhar. Mas \u00e9 comum que, depois de alguns dias de luta, os grevistas sejam coagidos a voltar ao trabalho se submetendo \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es de antes e, n\u00e3o raras vezes, ainda sofrendo persegui\u00e7\u00f5es e intimida\u00e7\u00f5es por terem lutado.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de dinheiro \u00e9 uma das maiores causas de fracasso de muitas greves. Sem recursos materiais, os trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguem resistir por muito tempo. Sem sal\u00e1rio, somos for\u00e7ados a morrer de fome ou voltar ao trabalho. Por isso, as associa\u00e7\u00f5es de trabalhadores devem gerir muito bem seus recursos financeiros para garantir o sucesso de suas greves. Acreditamos que um dos mais importantes debates \u00e9 o do <strong>Fundo de Greve<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento das atuais diretorias dos sindicatos oficiais \u00e9 de que o fundo de greve \u00e9 uma verba espec\u00edfica, separada da arrecada\u00e7\u00e3o total do sindicato, e destinada a pagar os gastos extraordin\u00e1rios de uma greve, como a manuten\u00e7\u00e3o do Comando de Greve, organiza\u00e7\u00e3o de caravanas, produ\u00e7\u00e3o de adesivos e camisetas, aluguel de carros de som e outdoors, entre outras. Isso n\u00e3o \u00e9 previsto por boa parte dos estatutos de sindicatos, como \u00e9 o caso do estatuto do SINTE-SC, que nem ao menos menciona a quest\u00e3o. O que prevalece \u00e9 uma pr\u00e1tica convencional entre os grupos pol\u00edticos majorit\u00e1rios que, a nosso ver, \u00e9 uma distor\u00e7\u00e3o da verdadeira fun\u00e7\u00e3o social de um fundo de greve.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo XIX, a repress\u00e3o patronal e estatal \u00e0s lutas oper\u00e1rias era implac\u00e1vel. A solu\u00e7\u00e3o para manter os movimentos grevistas foi a cria\u00e7\u00e3o das chamadas \u201ccaixas de resist\u00eancia\u201d. Esses caixas eram um fundo solid\u00e1rio formado com contribui\u00e7\u00e3o dos trabalhadores (algo como uma poupan\u00e7a coletiva) utilizado para a subsist\u00eancia das fam\u00edlias (com a compra de alimentos, medicamentos, etc) em caso de desconto salarial ou demiss\u00f5es. No Brasil, as oposi\u00e7\u00f5es sindicais nas d\u00e9cadas de 70 e 80 defenderam tamb\u00e9m esse instrumento de resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos que enfrentar de forma s\u00e9ria e coerente o problema do corte do ponto ou do rompimento de contrato (no caso dos ACTs) e seu impacto desmobilizador no movimento grevista. Os caixas de resist\u00eancia, ou fundos de greve nos termos atuais, devem servir para manter os trabalhadores em luta e, para se manter em luta, eles precisam se sentir amparados para se dedicarem \u00e0 luta e resistir ao ass\u00e9dio e \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es. E isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com a implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de assist\u00eancia material aos trabalhadores que sofrerem preju\u00edzos financeiros em fun\u00e7\u00e3o do movimento. Eventualmente, as Assembleias podem deliberar pela utiliza\u00e7\u00e3o de parte do valor acumulado pela Caixa de Resist\u00eancia para outros fins distintos da garantia da subsist\u00eancia dos sindicalizados, desde que essa seja a vontade da categoria e n\u00e3o decis\u00e3o unilateral das dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas medidas emergenciais, como a distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas ou arrecada\u00e7\u00f5es para aux\u00edlio a um ou outro trabalhador, s\u00e3o importantes e devem ser incentivadas e implementadas sempre. Mas somente a institui\u00e7\u00e3o de um caixa de resist\u00eancia de car\u00e1ter permanente, com a destina\u00e7\u00e3o de percentuais fixos da receita total dos sindicatos, pode mudar radicalmente as condi\u00e7\u00f5es de sucesso de nossos movimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os caixas de resist\u00eancia, al\u00e9m de garantir aos trabalhadores o apoio material em momentos de dificuldade, contribuem para o fortalecimento dos v\u00ednculos entre os trabalhadores na perspectiva da verdadeira solidariedade de classe. Sabemos como a falta de solidariedade entre os trabalhadores, que deveriam se reconhecer como iguais independentemente de quem s\u00e3o seus contratantes, \u00e9 uma importante causa do enfraquecimento das lutas sindicais.<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00edtulo de exemplo, a arrecada\u00e7\u00e3o atual do SINTE \u00e9 de 9 milh\u00f5es de reais ao ano e h\u00e1 cerca de 20 mil trabalhadores sindicalizados na categoria, pagando suas contribui\u00e7\u00f5es sindicais de modo regular. Caso 10% dessa receita fosse destinada a um caixa de resist\u00eancia, em apenas um ano seria poss\u00edvel custear cerca de 1.382 cestas b\u00e1sicas (R$ 651,37 em Florian\u00f3polis) e cerca de 818 aux\u00edlios no valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$1.100).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\"><strong>Comando de greve<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada no estatuto do SINTE sobre a constitui\u00e7\u00e3o de Comandos de Greve. A falta de previs\u00e3o estatut\u00e1ria permite que essa ferramenta t\u00e3o importante de luta seja organizada com base em \u201cconven\u00e7\u00f5es\u201d ou \u201ctradi\u00e7\u00f5es\u201d cristalizados na pr\u00e1tica da entidade sindical, sem transpar\u00eancia para a categoria.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com essa experi\u00eancia, boa parte da diretoria estadual passa a fazer parte do comando de greve como membros natos, sem terem sido eleitos para essa finalidade espec\u00edfica. Qual \u00e9 o problema disso? O problema \u00e9 que nas dire\u00e7\u00f5es e no Conselho Deliberativo muitas vezes n\u00e3o existe representa\u00e7\u00e3o efetiva da base, apenas de sindicalistas de carreira que est\u00e3o fora das escolas h\u00e1 muitos anos. Em diversos sindicatos (como ANDES e SINASEFE, por exemplo) a estrutura do sindicato fica nas m\u00e3os do Comando de Greve durante todo o per\u00edodo em que a luta durar. Assim, as sedes, os carros, as finan\u00e7as ficam sob o controle total daqueles que est\u00e3o na linha de frente do movimento grevista e, por isso, s\u00e3o os mais aptos a decidir sobre o uso desses recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, os estatutos devem prever que os Comandos de Greve eleitos nas assembleias regionais e estaduais substitua as dire\u00e7\u00f5es em sua fun\u00e7\u00e3o de comando pol\u00edtico do sindicato, conduzindo o movimento a partir da <strong>democracia de base<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das tarefas mais urgentes para os trabalhadores \u00e9 destruir a burocracia sindical e retomar o poder sobre as organiza\u00e7\u00f5es que deveriam nos representar. A democratiza\u00e7\u00e3o dos sindicatos \u00e9 uma necessidade da luta pela democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade. Enquanto os l\u00edderes sindicais e partid\u00e1rios continuarem decidindo os rumos das entidades, agindo e negociando pelas costas dos trabalhadores, mentindo, oprimindo e abandonando a base da categoria n\u00e3o podemos falar em democracia. Assim, ou retiramos desses pelegos o seu poder absoluto, ou continuaremos acumulando derrotas e perdendo nossos direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos colegas trabalhadores est\u00e3o hoje descrentes das possibilidades de vit\u00f3ria de qualquer luta sindical, justamente porque j\u00e1 conhecem bem as pr\u00e1ticas dessa burocracia. Mas n\u00f3s nos recusamos a confundir a burocracia sindical e os sindicatos burocr\u00e1ticos com o poder da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Onde h\u00e1 opress\u00e3o, h\u00e1 resist\u00eancia. E n\u00f3s seguiremos sempre resistindo, contra patr\u00f5es, governantes e dirigentes sindicais pelegos. Isso porque em todos os casos, n\u00f3s preferimos uma derrota honrosa do que o acovardamento e a submiss\u00e3o volunt\u00e1ria \u00e0s for\u00e7as dos exploradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Contribua com a defesa dessas ideias! Contribua com a for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o do sindicalismo brasileiro! Filie-se ao Sindicato Geral Aut\u00f4nomo de Santa Catarina!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>\ud83c\udff4\ud83d\udea9 <strong>Sindicato Geral Aut\u00f4nomo de Santa Catarina<\/strong> <br>\ud83d\udcf2 <strong>Wpp:<\/strong> (48) 98413-1493<br>\ud83d\udce7 <strong>E-mail: <\/strong>siga.sc@protonmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 08\/03, os trabalhadores da rede estadual de ensino de SC optaram pela paralisa\u00e7\u00e3o das atividades presenciais de ensino e manuten\u00e7\u00e3o das atividades remotas nesse in\u00edcio do ano letivo de 2021. 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