{"id":220,"date":"2021-01-29T17:15:15","date_gmt":"2021-01-29T17:15:15","guid":{"rendered":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/?p=220"},"modified":"2021-02-19T15:01:41","modified_gmt":"2021-02-19T15:01:41","slug":"acidente-de-onibus-que-trazia-trabalhadores-do-para-para-sc-deixa-mortos-e-dor-para-quem-migrava-atras-de-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/?p=220","title":{"rendered":"Acidente de \u00f4nibus que trazia trabalhadores do Par\u00e1 para SC deixa mortos e dor para quem migrava atr\u00e1s de emprego"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-vivid-red-color has-text-color\"><a href=\"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/?page_id=79\">Se\u00e7\u00e3o Popular<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 25 de janeiro um \u00f4nibus que havia sa\u00eddo de Ananindeua (cidade localizada na regi\u00e3o metropolitana de Bel\u00e9m) com destino a S\u00e3o Jos\u00e9, em Santa Catarina, perdeu o controle e despencou por cerca de 50 metros em uma ribanceira, na altura de Guaratuba, trecho da BR-376 no Paran\u00e1. At\u00e9 o momento n\u00e3o h\u00e1 o motivo certo do acidente, somente um depoimento do motorista que leva a suspeita de falha mec\u00e2nica que acarretou na perda dos freios.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse triste acidente deixou 30 pessoas feridas e resultou na perda de 19 vidas de homens, mulheres e crian\u00e7as, deixando fam\u00edlias e amigos de luto e sem meios de levarem seus mortos para serem velados dignamente em sua terra natal. Entre as vidas perdidas est\u00e3o Jo\u00e3o Paulo Ferreira dos Santos, de apenas 19 anos, que vinha em busca de emprego; Juliane de Jesus Botelho Garcia de 24 anos, que vinha junto com o namorado (que est\u00e1 em estado grave) para conseguir trabalho em Itaja\u00ed; Da\u00edlson Ferreira Pimentel paraense de 32 anos que era pedreiro em Timb\u00f3 e retornava de uma visita familiar; Gabrielly Pinto Favacho, de 21 anos, que saiu de Marapanim (interior do Par\u00e1) junto com dois amigos para procurar emprego; Alexandre Costa da Cruz, que trabalhava no \u00f4nibus acidentado como carregador de bagagens e segundo a m\u00e3e tinha 26 anos; Christopher Silva, que completaria 7 anos em tr\u00eas de fevereiro, estava viajando no \u00f4nibus com o restante da fam\u00edlia e que sobreviveram.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m destes, faleceram no acidente Andreia Miranda dos Santos&nbsp;(27 anos), Emanuele Cristina Martins Miranda (26 anos), Iracelma de Carvalho e Souza (47 anos), Iranilda Carvalho de Souza (54 anos), Jos\u00e9 Renan da Silva Souza (18 anos), Roni Cristian Pinheiro de Almeida (21 anos), Thyago dos Santos Barros (32 anos), Valdenilson Gurj\u00e3o de Souza (22 anos), Yasmin Carvalho de Souza (idade desconhecida). A trag\u00e9dia ainda vitimou tr\u00eas pessoas da mesma fam\u00edlia: o pai Ant\u00f4nio Lima, a m\u00e3e Geovanna Pinheiro, o filho Carlos Teixeira, de 14 anos, e a filha Emanuelle Pinheiro de apenas seis meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Por todo estado \u00e9 percept\u00edvel no cotidiano o aumento de trabalhadores vindos do estado do Par\u00e1 em busca de oportunidades e fugindo da crise que atinge, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, os estados brasileiros perif\u00e9ricos (em n\u00edvel econ\u00f4mico). Nos caixas de supermercados, no ch\u00e3o das f\u00e1bricas do interior, por baixo dos uniformes das empresas terceirizadas, morando em ocupa\u00e7\u00f5es, \u00e9 incontest\u00e1vel o aumento da presen\u00e7a de trabalhadores e trabalhadoras paraenses em SC, por\u00e9m, \u00e9 inexistente estudos do governo para, a partir deles, projetar pol\u00edticas de acolhimento. Desde o transporte para chegarem em nosso estado, passando pelas condi\u00e7\u00f5es de moradia prec\u00e1rias, at\u00e9 chegar na t\u00e3o sonhada inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, a regra \u00e9 a precariedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos poucos \u201cestudos\u201d que evidenciam o grande fluxo de migra\u00e7\u00e3o do Par\u00e1 para Santa Catarina \u00e9 um levantamento de dados internos feito pelo IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) sobre quais eram os estados de origem dos estudantes que ingressam na institui\u00e7\u00e3o, onde se chegou ao resultado de que parte significativa da totalidade dos ingressantes de outros estados \u00e9 constitu\u00edda por estudantes oriundos do Par\u00e1, cerca de 83 ingressantes no per\u00edodo de 2018-2019. Esse n\u00famero parece baixo \u00e0 primeira vista, por\u00e9m, deve-se considerar que IFSC \u00e9 uma das institui\u00e7\u00f5es mais concorridas do estado e que a maioria dos ingressantes do Par\u00e1 j\u00e1 residem em SC com suas fam\u00edlias e possuem redes de conhecidos que vieram antes deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o precisamos de comprova\u00e7\u00e3o no papel desse fluxo migrat\u00f3rio, apesar de serem essenciais estudos para o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas, pois n\u00e3o precisa muito para notar a presen\u00e7a paraense em Santa Catarina. Com uma simples busca na internet \u00e9 poss\u00edvel encontrar dezenas de grupos em redes sociais catarinenses de \u201cparaenses em Santa Catarina\u201d, restaurantes de comidas t\u00edpicas do Par\u00e1, festas espec\u00edficas de m\u00fasica brega, al\u00e9m de v\u00e1rios an\u00fancios de \u201cexcurs\u00f5es\u201d de \u00f4nibus anunciando um pre\u00e7o abaixo do mercado, ve\u00edculos estes que percorrem em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias uma dist\u00e2ncia maior do que se viessem de La Paz na Bol\u00edvia ou Santiago no Chile, desta forma j\u00e1 era previs\u00edvel acontecer algo do tipo, infelizmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de um n\u00famero grande de paraenses chegando ao nosso estado, o fluxo de trabalhadores que v\u00eam ajudar a rodar as engrenagens da economia catarinense \u00e9 muito variado. Somente no per\u00edodo de 2015-2017, por exemplo, chegaram ao solo catarinense cerca de 50 mil imigrantes do Haiti e do Senegal, fora os de outras nacionalidades (bolivianos, venezuelanos, etc.), al\u00e9m das migra\u00e7\u00f5es internas do pa\u00eds. Assim, n\u00famero de trabalhadores e trabalhadoras vindos para c\u00e1 \u00e9 incalcul\u00e1vel e o impacto das mudan\u00e7as vindas com o processo de migra\u00e7\u00e3o em massa j\u00e1 \u00e9 sentida nos locais de estudo, moradia e trabalho. O triste \u00e9 saber que foi somente ap\u00f3s esse tr\u00e1gico acidente que a m\u00eddia burguesa passou a tocar na quest\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o, cabe agora organizar junto a esses trabalhadores e estudantes a luta por dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s do Sindicato Geral do Aut\u00f4nomo de Santa Catarina publicizamos nossa solidariedade com familiares e amigos das v\u00edtimas e estamos comprometidos nas comunidades, escolas e locais de trabalho a lutar por uma vida digna para todos os trabalhadores e trabalhadoras, independente de ra\u00e7a, sexo e origem territorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>A Classe Trabalhadora N\u00e3o Reconhece Fronteiras!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Lutar com os de Baixo Por Uma Vida Digna!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 o momento n\u00e3o h\u00e1 o motivo certo do acidente, somente um depoimento do motorista que leva a suspeita de falha mec\u00e2nica que acarretou na perda dos freios.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":221,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[56],"tags":[57,59,58,60,7,24],"class_list":["post-220","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-migracao","tag-acidente","tag-emprego","tag-migracao","tag-para","tag-santa-catarina","tag-popular","two-columns"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=220"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/220\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":244,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/220\/revisions\/244"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=220"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=220"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sigasc.lutafob.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}